terça-feira, 29 de março de 2016

Condutores de ambulância reclamam das condições precárias de trabalho e dos riscos para os pacientes

Foto: Tonico Alvares/CMPA
Foto: Divulgação Gabinete













A Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara de Vereadores de Porto Alegre discutiu, nesta terça-feira (29), a situação dos condutores de ambulância e o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na cidade. Representantes do Sindicato dos Condutores de Ambulância do Estado do Rio Grande do Sul (Sindcaers) expuseram os problemas que a categoria enfrenta no trabalho e pediram à Câmara a fiscalização do serviço.

Uma das reclamações do presidente da entidade, Paulo Rogério Silva, é a falta de ar-condicionado em alguns veículos, o que fez muitos profissionais e pacientes se sentirem mal no atendimento em função das altas temperaturas do verão. Além disso, a manutenção das ambulâncias, segundo o dirigente, é precária. Paulo Rogério salienta que muitas mortes de pacientes já ocorreram e que essas más condições podem ter colaborado para os óbitos. Outras críticas se referem ao horário de almoço, à falta de pagamento de hora extra, à remuneração dos motoristas e a questões de segurança. Os condutores enfrentam situações de violência pela demora em atender uma chamada e em locais dominados pelo tráfico. Por isso, querem uma maior aproximação com a Brigada Militar para acompanhamento em determinados atendimentos.

O titular do Comando de Policiamento da Capital (CPC), tenente-coronel Mário Ikeda, explicou que, na medida do possível, a Brigada já está fazendo este trabalho, falta, então, identificar os problemas pontuais.

Quanto à manutenção da frota, o secretário substituto da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Jorge Cuty, esclareceu que houve cancelamento de contrato com a empresa responsável, tendo sido feito um chamamento emergencial. Cuty também confirmou que está sendo avaliado pela Secretaria Municipal de Planejamento Estratégico e Orçamento o texto do projeto de lei que trata das atribuições e salários dos motoristas de ambulância.

A respeito de alguns veículos não terem ar-condicionado, a enfermeira Ana Lúcia Maciel, representando a gerência municipal do Samu, informou que, das 15 equipes, três funcionam sem o aparelho e as ambulâncias reservas também não têm ar-condicionado. Ana Lúcia ainda destacou que o motorista do serviço deve ajudar a iniciar o atendimento.

Também participaram da reunião representantes do Sindicato Médico do Rio Grande Sul, do Ministério Público Estadual, do Serviço Social do Comércio, da Secretaria Municipal de Administração e outros representantes da Secretaria Municipal de Saúde, além dos integrantes da comissão.

Ao final, a presidente da Cosmam, Lourdes Sprenger (PMDB), relatou os encaminhamentos da comissão: pediu informações sobre o contrato emergencial para reparo das ambulâncias e a respeito da política salarial, solicitou um estudo da SMS para verificar se há possibilidade de aumentar as equipes do Samu e a averiguação de óbitos por ventura existentes, dentre outras providências. “Queremos buscar o maior número de soluções possíveis para esta pauta, que já vem sendo discutida há muito tempo”, concluiu Lourdes.